Vamos lá, então...

 22 de Janeiro de 2024

Vou ser sincera e dizer que a minha vontade de escrever hoje é de entre 0 e -100.

Mas enfim, seja o que Deus quiser!

Hoje fui fazer um trabalho extra de manhã,  visto que estou numa espécie de lay- off ( chômage, como lhe chamam aqui) , o que basicamente quer dizer que fui vergar a mola quando não precisava de o fazer. E o que foi o extra, perguntas tu? Limpar um apartamento vazio, a fundo, para o entregar ao senhorio. Obviamente, não fiz nem metade hoje porque, convinhamos, os suíços são muito evoluídos em muita coisa mas nunca aprenderam a limpar uma casa.

E sigo a partir daqui com mais memórias e sabes porquê? Porque lembro-me perfeitamente de quando era pequenita, e mesmo até já crescidita, não gostar absolutamente nada de limpar ou arrumar fosse o que fosse.

Hoje em dia arrumo e limpo, por obrigação e também por gosto... gosto pelo dinheiro que me entra na carteira quando o faço para outros.

Lembro-me de uma vez em específico em que,  a minha mãe me mandou arrumar o quarto, onde eu dormia com a minha irmã caçula, e que estava uma perfeita balbúrdia. Claro que pediu uma, duas, três vezes e nós nem nos mexemos do mesmo sítio. Até que ela se zangou.

A pequena, como sempre, arranjou mneira de se escapar e a minha mãe trancou-me no quarto, com ordem de a chamar para abrir a porta apenas quando tivesse tudo arrumado.

Fiquei revoltadíssima! Do alto dos meus 11 anos, achei aquilo a maior injustiça do mundo e revoltei-me sozinha. Na minha cabeça de ervilha, achei que era uma ótima ideia fugir de casa,ou no meu caso, tentar. Arrumei uma mochila com meia dúzias de cuecas e meias, umas t-shirts e calças, a "bomba" da asma e saltei a janela do quarto, que era um rés-do-chão mas ainda um pouco alto.

E agora vem aquela parte da memória em que se vê a ingenuidade da criança: eu deixei um recado escrito, a dizer o quanto me sentia injustiçada e com o nome da colega com quem supostamente iria ter,junto ao papel com o número de telefone. Problema? Não levei o número comigo para avisar a moça que ia para lá. E mesmo que fosse, até parece que a minha mãe não ia lá buscar-me por uma orelha.

Resultado: sem saber o que fazer fui esconder-me no café da aldeia, debaixo da mesa do telefone. Inteligente! Ora foi o primeiro sítio onde a minha maezinha me procurou.

Fui de puxão até casa, levei ralhete, fiquei de castigo e ainda tive de ir arrumar o quarto, desta vez com supervisão para ela ter  certeza que eu não tentava outra gracinha.

Agora que penso nisso, eu realmente nunca fui fácil. Mas também,  que piada têm as coisas fáceis de mais?!

Em compensação, eu vou atrás do que é mais difícil que eu ,mas isso é história para outro dia.

Vou aqui beber o meu chá de menta e esticar o esqueleto.

Bye-bye!

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